"Por cego amor seduzida
Recebendo a negra seta
Deixando a senda correcta
Pela mais desenvolvida
De tanta mulher perdida
Pelo gozo deslumbrada
Só ela foi alcunhada
Do mais inconstante insecto
E tanto amou o dilecto
Que morreu asfixiada
Quis fazer qual mariposa
Toda embevecida na luz,
Seu corpo a cinzas reduz
Nessa esfera luminosa;
Pousando de rosa em rosa
Tantos perfumes desfrutou
Que por fim se envenenou
Com o perfume do rosal,
Trocando a vida real
Pelo brilho que a fascinou."
