terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Pessoas

Pessoas, pessoas, pessoas


Quando ouço falar em pessoas
Quando penso em falar com pessoas
Quando minto em falar às pessoas
Sou pessoa também

Vento gelado que sinto, fazer brilhar a brasa do cigarro,
Correndo de carro
Vendo as nuvens correrem no céu
O mesmo vento impune
Revoa te véu
Revela tua face
Que fim terá esse enlace?

Sou pessoa também,
E sou pessoa cruel.
Não tenho medo do inferno.
Nem do céu!

Posso ser pessoa bondosa
Pois trabalho com pessoas
Gente que chora e sofre
Gente que não tem dente
Gente que têm governo
Que governa e não sente

Não sente o alívio da dor
Nem vê o seu temor
Não teme a justiça dos homens
Tampouco a justiça divina
Temem apenas que acabe
Seu champagne com piscina.

Por isso queria dizer
Se um dia te fiz sofrer
Sou pessoa também.
Quem planta um dia vai colher.

Rima de verbo com verbo
Rima que cita provérbio
Sei rimar substantivo
Dizem que sou inteligente
Não! Sou apenas
Gente..............
M.R. 28/0701

Retalhos...


Entrou bar adentro com a PT40 em punho, o animal com suas garras para fora, pronto para o ataque. Girou sobre seu próprio corpo esquivando-se dum cabide de jaquetas coloridas com lembranças para os turistas. Olhou de relance e viu aquele vulto negro com uma senhora em um dos braços e uma sub-uzy na mão. “Peguei o filho-da-puta” Bummm. Miolos voaram até a parede e começaram a escorrer como se tivessem vida própria.
*********
Lembrou-se por um segundo daquele momento na infância remota em que empinava uma pipa sobre o telhado enferrujado da Granja Nenê, a sensação de poder ao sentir-se dominando o vento com aquela engenhoca primitiva, e após a brincadeira uma sensação de vazio ao descer a pipa. Agora também, olhando aquele corpo caído ao chão inerte com o crânio dilacerado em uma poça de sangue. Missão cumprida? E aí? O vento continua lá.

FAKE PLASTIC TREES



Havia percorrido um longo caminho até chegar àquelas conclusões. Vira coisas as quais jamais pensou que iria ver. Tinha no peito um sentimento que não sabia definir, sabia apenas compreender, um pouco, mas estava chegando lá. Ainda não sabia o porquê, mas quem sabe, este porquê nem mesmo existisse. Estava farto, isso era verdade. Não importava mais se as pessoas não o entendessem, não entendessem suas motivações. Agora entendia melhor os outros, oque queriam, porque lutavam, oque os motivava. Um sentimento estranho. Pensou que seus valores estavam invertidos. Este é o jeito que as coisas funcionam. Era tão fácil, teoricamente falando, mas tão difícil de por em prática. Agora não importava mais, não queria mais ver aquilo. Não queria mais isentar-se da responsabilidade. Faria aquilo tudo, um jogo tão simples... Não suportaria mais ver todas aquelas cenas novamente. Queria apenas que todos estivessem contentes nem que para isso tivesse que abafar todo e qualquer sentimento, toda e qualquer sombra que brotasse de seu peito. A felicidade parecia algo tão vazio, tão simples, algo realmente sem graça. Será? Não importa; iria beber daquela fonte, banhar-se nela, respirá-la, senti-la de verdade. Parecia que estaria vivendo pelos outros, não por si mesmo, mas isso não importava mais, se isto era tão importante, valia o esforço. Mas oque era importante afinal, adiaria seus questionamentos para sempre quem sabe. Lembrou-se da amiga que lhe falou certa vez, ‘que legal tu não és uma pessoa de plástico.’ Aquela frase jamais lhe saíra da cabeça, .. não era uma pessoa de plástico, iria tornar-se então. Quem sabe? Logo iria descobrir.

Passenger of my live

See the passenger...
O passageiro olhou para o lado, viu o caminhão caído na vala entre as duas pistas e pensou, - Esta é a nossa vida. Quatro pistas de cada lado, divididas por uma vala. Conforme a pista e a direção são oito possibilidades. Porém ainda existem os retornos. E também a vala. Infinite Highway, infinitas possibilidades.
Caminhos que vão e vem.
Trilha perdidas também.
But there are compensations, como disse o personagem do Tim Robins naquele velho filme da era (jurássica) pré-pé-na-estrda. Mas parece que não acaba né? Quem? Esses caminhos. Estranhos são os desígnios do senhor (rennot 03-10 – profeta menor, no livro dos tolos, capítulo permanente). Talvez seja a vida um troféu de golf, guardadas as proporções, é claro. São vários buracos, muitas tacadas. And it’s all over now baby blue. Mas o Bob Dylan escreveu antes de existir o Prozac.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

ladrão que rouba ladrão

Madov anda dizendo pelos cantos que terá 100 anos de perdão. Enquanto isso no Brazil um certo Aike, filho de ministro e marido de china anda conseguindo cada vez mais gente pra sua pirâmide. Mas onde "canta" a jandaia nas frondes da carnaúba há de haver socorro oficial, é so olhar o timeco de conselheiros. Onde estára o X da questão? há, e quem cuidará do filho da viúva?

Lonely Boy


era uma vez, há muitos e muitos anos
um menino que vivia sozinho num tronco de árvore
numa bela noite de verão o menino saiu da árvore pra urinar
quando, de repente avistou uma luzinha vermelha bem longe
esta luzinha se movia em direção da constelação KTRFGOIUCSX;
isso , pensou o menino, significava que algo de muito diferente iria
acontecer
então o menino resolveu seguir a luzinha
ele caminhou por quase toda noite quando avisotu a luz ficando cada vez mais forte
mais colorida, misturando milhares de tons
então ele resolveu voltar pra casa
ficou pensando em tudo que aquela luzinha poderia significar e pensou
que ele era só um menino que vivia naquela floresta encantada
e que não poderia deixar de viver a história dele

sábado, 13 de dezembro de 2008

Anita de Vemust Knowks


Anita colou um papel de parede
Atrás da sua mesa no escritório
Ela trabalha no cartório
E a paisagem é uma ilha dos trópicos
No caminho de casa tem uma agência
Com anúncios de viagem luminosos
de noite na pensão
Tão todos reunidos vivendo emoções

Pela novela - pela novela
Anita sabe que a vida é bem mais do que isso
A suave brisa do pacífico
O entardecer nas ilhas Mojave
Os folhetos não mentem está tudo lá esperando
Numa ilha dos trópicos, Ilha dos trópicos
Anita não é feia nem bonita
Mas ela pode dar o grande golpe
Aquele velho rico, quem sabe...
Anita sabe que a vida é bem mais do que isso
Deve haver noutro lugar
Uma vida melhor,
Numa ilha dos trópicos, ilha dos trópicos

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Abaixo as dondocas


A prisão de 29 dissidentes em Cuba, no início da semana, pelo crime de pretenderem comemorar o Dia Internacional dos Direitos Humanos, é uma amostra do destino a que os venezuelanos acabarão conseguindo escapar, se continuarem enfrentando corajosamente o governo do sr. Chávez como o fizeram no plebiscito. Mas é também uma amostra do futuro que espera os brasileiros, se não compreenderem que um governo aliado do chavismo e das Farc requer uma oposição abertamente anticomunista, vigorosamente anticomunista, e não esses dois clubes de dondocas atemorizadas – ou vendidas, chi lo sà ? -- que são o PSDB e o DEM.

A primeira dessas agremiações contenta-se, desde há muito, com ser uma sombra do PT, não apenas recusando-se a ter com o partido governante a menor divergência ideológica, mas só o enfrentando no campo das acusações mútuas de corrupção – em geral igualmente justificadas --, quando não no da competição de fidelidade ao passado esquerdista, como se viu naquelas ridículas simulações de debate eleitoral em 2002.

Quanto à segunda, o sr. Presidente da República engana-se ao dizer que ela não tem perspectiva de poder. O DEM quer o poder, sim, desde que possa conquistá-lo por meio de alianças, conchavos e acomodações ou, na mais valente das hipóteses, por meio de resmungos moralistas apartidários e inofensivos. O que o DEM não quer é nadar contra a corrente dominante, é ser ou parecer conservador, é tornar-se o legítimo porta-voz das crenças e valores tradicionais do povo brasileiro, que o consenso dos bem-pensantes excluiu de todo direito à representação política ou mesmo ao ingresso nos ambientes culturais soi disant respeitáveis.

Quando uma agremiação que a esquerda rotula de extrema direita professa se modelar pelos ideais do Partido Democrata americano -- o partido de Fidel Castro, Hugo Chávez e Ahmadinejad --, é patente que toda confrontação eleitoral “nêfte paíf” se tornou apenas uma fachada legitimadora do esquerdismo triunfante, uma farsa grotesca calculada para impedir que as preferências majoritárias dos brasileiros se façam valer no Congresso e adquiram força de leis.

Vocês já notaram que, nas confrontações extrapartidárias, no plebiscito do desarmamento assim como nas pesquisas de opinião ou na recente Conferência Nacional de Saúde, a opinião vencedora nunca é aquela que depois acaba prevalecendo nas eleições? Por que o brasileiro, ao expressar diretamente o que pensa, diz uma coisa, mas ao fazê-lo através da representação eleitoral, diz outra completamente diferente? Por que o nosso povo é tão conservador nas idéias e tão esquerdista no voto? A resposta é simples: a rede de canais partidários foi toda planejada para que, no caminho entre o sentimento espontâneo e a decisão política, tudo se transmute no seu respectivo oposto. O que no Brasil se chama de representação popular é, literalmente, representação inversa.
Olavo de Carvalho
Jornal do Brasil, 06 de dezembro de 2007

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008



Naquela casa torta onde me achei
Naquela casa torta onde me achei
Perdi o sapato que escorregou pelo buraco
E pelo esgoto foi parar no rio

E hoje está enterrado
Junto com a chave daquelas tardes
Que era a viagem da minha louca idade
Que eu ainda não abandonei

Naquela casa torta onde me achei
Naquela casa torta onde me achei
Perdi o Sapato que escorregou pelo buraco
E pelo esgoto foi parar no rio

no one knows


We get these pills to swallow
How they stick
In your throat
Tastes like gold
what you do to me
No one knows
Say hello to the night
Lost in the shadows
Say hello to the night
Lost in the loneliness
I can't wait, no
When I see little lights in the shadows
One must hide when the sun gets higher
I don't know what this madness means
Here comes the night
The bedroom in shadows
Candlelights
I don't know where it's coming from
But I, I keep moving on

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

ítaca com tacai


Se partires um dia rumo à Ítaca
Faz votos de que o caminho seja longo
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem lestrigões, nem ciclopes,
nem o colérico Posidon te intimidem!
Eles no teu caminho jamais encontrarás
Se altivo for teu pensamento
Se sutil emoção o teu corpo e o teu espírito. tocar
Nem lestrigões, nem ciclopes
Nem o bravio Posidon hás de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti.
Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
Nas quais com que prazer, com que alegria
Tu hás de entrar pela primeira vez um porto
Para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir.
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos
E perfumes sensuais de toda espécie
Quanto houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egito peregrinas
Para aprender, para aprender dos doutos.
Tem todo o tempo ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas, não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
E fundeares na ilha velho enfim.
Rico de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu
Se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência.
E, agora, sabes o que significam Ítacas.



Constantino Kabvafis (1863-1933)