
Havia percorrido um longo caminho até chegar àquelas conclusões. Vira coisas as quais jamais pensou que iria ver. Tinha no peito um sentimento que não sabia definir, sabia apenas compreender, um pouco, mas estava chegando lá. Ainda não sabia o porquê, mas quem sabe, este porquê nem mesmo existisse. Estava farto, isso era verdade. Não importava mais se as pessoas não o entendessem, não entendessem suas motivações. Agora entendia melhor os outros, oque queriam, porque lutavam, oque os motivava. Um sentimento estranho. Pensou que seus valores estavam invertidos. Este é o jeito que as coisas funcionam. Era tão fácil, teoricamente falando, mas tão difícil de por em prática. Agora não importava mais, não queria mais ver aquilo. Não queria mais isentar-se da responsabilidade. Faria aquilo tudo, um jogo tão simples... Não suportaria mais ver todas aquelas cenas novamente. Queria apenas que todos estivessem contentes nem que para isso tivesse que abafar todo e qualquer sentimento, toda e qualquer sombra que brotasse de seu peito. A felicidade parecia algo tão vazio, tão simples, algo realmente sem graça. Será? Não importa; iria beber daquela fonte, banhar-se nela, respirá-la, senti-la de verdade. Parecia que estaria vivendo pelos outros, não por si mesmo, mas isso não importava mais, se isto era tão importante, valia o esforço. Mas oque era importante afinal, adiaria seus questionamentos para sempre quem sabe. Lembrou-se da amiga que lhe falou certa vez, ‘que legal tu não és uma pessoa de plástico.’ Aquela frase jamais lhe saíra da cabeça, .. não era uma pessoa de plástico, iria tornar-se então. Quem sabe? Logo iria descobrir.
