quinta-feira, 10 de junho de 2010

doi a dor

Doi a dor de um amor perdido


doi a dor de um amor não-correspondido

doi a ausência de quem um dia foi

lembranças de auroras e matines

de noitadas e silêncios

dor presente do ausente

amor incandescente

que ainda se sente

deixa o peito dormente

e a fala perdida

deixa o verso óbvio

e o óbvio inverso

queria reviver tudo aquilo

queria ser mais ousado

lembro aquele imenso telhado

telhas vermelhas

pelos pubianos ruivos

sobrancelhas pretas

olhos de quem olha dentro

a matéria transmutada

pensamento-sentidos

ao leo

ao vento

pobre

descansa na Sarmento