Doi a dor de um amor perdido
doi a dor de um amor não-correspondido
doi a ausência de quem um dia foi
lembranças de auroras e matines
de noitadas e silêncios
dor presente do ausente
amor incandescente
que ainda se sente
deixa o peito dormente
e a fala perdida
deixa o verso óbvio
e o óbvio inverso
queria reviver tudo aquilo
queria ser mais ousado
lembro aquele imenso telhado
telhas vermelhas
pelos pubianos ruivos
sobrancelhas pretas
olhos de quem olha dentro
a matéria transmutada
pensamento-sentidos
ao leo
ao vento
pobre
descansa na Sarmento

