e quando não cantarem mais os elfos dourados
não folgarem mais as universitárias dos salões
de carpetes vermelhos
na meia luz indireta dos spots de cantos marmóreos
quando minha algibeira não for mais recarregada com vinténs ou milréis das
mesas de jogo onde o feltro verde me vertiga
e instiga a roleta com suas
voltas de vida sem vida
quando meus martínis com
gelo não secarem mais minha garganta desidratada
quando acabar a água mineral e o gelo d'água de coco, quando chegar o clarin dos sete selos
me avisem as fadas de cinderelas nefastas
que me retirem do recinto
mas não esqueçam de me despir de todos os preceitos que me algemam
a matéria densa que me prende ao caldeirão
de sangria e fechem o teclado do piano para que me lembre que o baile, o baile acabou. Deixem que cante um último bolero e dance o derradeiro tango o qual nunca ensaiei mas o sei de compasso e prumo coreografado nos meus genes

